O bom “espião”

A espionagem sempre existiu.
Até nas leituras bíblicas do Antigo Testamento, onde encontramos a história da migração do povo de Israel, depois da libertação da escravidão no Egito, com destino à Terra Prometida, temos inúmeros relatos. Mas também, bem antes, temos registros.

1)- Jacó, o patriarca, teve duas esposas, tendo 2 filhos com uma e 10 filhos com a outra. Como em muitas famílias, ali também se instalou uma “dor de cotovelo” porque Jacó se mostrava mais amoroso com o filho José.
Tudo corria razoavelmente bem até que um dia, longe de casa, os irmãos mais velhos apascentavam o rebanho, quando José veio ter com eles. Resolveram vendê-lo a mercadores, para ser escravo em outra terra.
Para encobrir o seu ato, mataram um cordeiro e ensanguentaram a capa de José, para apresentá-la ao pai, para fazê-lo acreditar que uma fera o tivesse devorado.
Os anos passaram e no plano de Deus estava deteminado que José ainda seria o “libertador” de sua família. Inúmeros fatos aconteceram, até que José fosse alçado ao cargo de Governador. Nesse tempo houve uma seca muito grande. Orientado por Deus, José já havia determinado ao povo do Egito que construíssem celeiros para armazenar o fruto das colheitas no perído de boas safras, também conhecido de “anos das vacas gordas”. Quando a seca assolou regiões e regiões, o pai dessa família escolhida, tomou conhecimento de que havia alimentos a adquirir, no Egito.
Ali surgiu a oportunidade para José, o Governador preparar uma cilada para segurar seus irmãos que não o reconheceram, dizendo que eles eram espiões que vieram para saber onde havia fragilidades na terra egípcia.
Não entremos em detalhes, mas na segunda vinda às compras tiveram que trazer o irmão menor, o Benjamin, senão não teriam alimento. Daí José mandou segurar Benjamin, para que trouxessem o pai, a quem José se revelaria, desfazendo a mentira  que seus irmãos lhe pregaram. Então está bem, os irmãos de José não vieram como espiões, mas como compradores. O desfecho foi feliz.

2)- Nos tempos de Josué, no entanto, houve o envio de 2 espiões para examinar a região de Jericó. Estes foram acolhidos e protegidos por uma prostituta chamada Raabe.
Por esse ato ela obteve um tratamento diferenciado perante Deus, pois ela serviu para o plano de Deus.
Ainda hoje Deus usa pessoas como instrumentos para realizar seu plano, mesmo contra a vontade das pessoas usadas.
Para quem está fora do plano, é fácil apontar o dedo indicador, esquecendo que o polegar aponta para o alto.

Hoje o que mais se fala, além de Brumadinho é o e-Social, através do qual os empregadores repassam muitas e muitas informações relativas a seus empregados, seus prestadores de serviços. O e-Social é considerado um espião, ou ainda comparado com o “Big Brother”, programa através do qual a vida dos participantes é exposta à sociedade curiosa e ociosa, em sua grande maioria.

Ocorre que o e-Social não expõe candidatos, mas reúne informações a respeito de cidadãos que trabalham, que tem renda. Se mudam de endereço ou de sobrenome, se lhes nasce um filho, se tem aumento salarial, se são promovidos de cargo, se ficam afastados por atestado, ou por licença médica, se prestam serviço fora do contrato de trabalho, se recebem um benefício não tratado como paga, mas como incentivo, a Receita Federal, pelo e-Social, fica sabendo, figurando este como espião do bem.

Edvino Borkenhagen

Coluna Mensageiro – Registro 0123526, 18/08/2003 – Títulos e Documentos
Publicada em 08/02/2019 no jornal Gazeta Diário – Ano XXI – Mensagem 1.072

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