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Mulheres de Peito

        Quem já não ouviu a expressão: "Deus não dá a cruz maior do que se possa carregar."?
Há que se admirar a a bravura e força de certas pessoas no enfrentamento de suas guerras particulares. Dentre estas guerras está o câncer nos seios.
        Receber o diagnóstico de câncer era uma sentença de morte. Isto na prática tem mudado com o avanço dos diagnósticos precoces, dos procedimentos médicos, da parceria de várias especialidades, dos recursos cirúrgicos, etc... Porém, internamente falando, os sentimentos continuam sendo os mesmos. O sentimento de desolação, de confusão, dor de angústia no peito, a raiva e a frase: O que fiz para merecer isso?
        Essa pergunta sempre aparece para familiares e pacientes quando é constatado o diagnóstico. Entram no processo de encontrar justificativas para o que está acontecendo. Logo buscam relembrar episódios difíceis e marcantes que possam ser motivo para o aparecimento da doença. O excesso de "psicologização" também não ajuda ou melhor, ajuda a piorar a situação com fantasias dignas de um roteiro de cinema para justificar tamanho sofrimento. No caso das mulheres, isso piora quando alguma coisa não dá certo e elas logo se perguntam: O que eu fiz? Sempre com o sentimento de responsabilidade e culpa. A bendita culpa, eterna companheira das mulheres. Imaginem então em relação à doença!!!
        Há estudos que procuram uma ligação entre os problemas emocionais vividos e o câncer. Mas não podemos ser simplistas assim. Há pacientes deprimidos com câncer, outros não. Há pacientes com câncer deprimidos, outros não. Há aqueles que viveram verdadeiras tragédias nas suas vidas. Há aqueles que tiveram e têm uma vida boa, família bem estruturada e feliz e que têm ou terão câncer.
        Não ajuda em nada se culpar ou culpar os familiares pelo absurdo de ter que enfrentar algo assim. Se culpar significa se punir ou ser punido, ser castigado, e isso, com certeza não ajuda em nada quem está doente, tão pouco aos familiares. Ter uma doença assim não tem relação com merecimento. Pessoas, independente de suas índoles, terão ou não câncer.
        As mulheres geralmente estão mais "prontas" a enfrentar a doença. Como cuidadoras não aprenderam a fazer manha, e logo estão "a postos" como verdadeiras soldadas recém convocadas à guerra para o enfrentamento, independente de terem que sofrer agressão ou não. Conscientes, pegam os armamentos disponíveis e, literalmente, vão à luta. Choram no chuveiro. A família continua sendo priorizada. Apesar do interior estar horrível, num turbilhão de sentimentos, elas conseguem cuidar da estima. São caprichosas, dedicadas ao tratamento e procuram não deixar a doença tomar conta de suas vidas. Não deixam de ser boas mães, pelo contrário, dão lições de luta, garra e força. Não é do que um filho precisa?
        Falo com a boca cheia de orgulho que, essas mulheres são "mulheres de peito", mesmo que já tenham perdido um. Ter peito, ter feminilidade, ser mulher está longe de ser uma carcaça, apesar dos meios de comunicação insistirem nisso. Perder um pedaço do corpo é doloroso sim, principalmente em partes que simbolicamente representam tanta coisa. Mas eu disse simbolicamente. Na prática queremos é nossa companheira viva, nossa mãe viva, nossa irmã viva. O que o paciente quer é ficar vivo, é poder reconstruir ou continuar sua vida, seus projetos, seus sonhos ou novos sonhos. Com o tempo se pode reconstruir até aquele pedaço de carne, chamado mama. O nutriente que precisamos dessas mulheres não sai mais da mama, mas de suas simples existências.
        Um paciente do grupo de apoio psicológico de pacientes em quimioterapia contou-nos uma estória: Um homem estava sentado no telhado de sua casa, que estava rodeada por água devido a uma enchente.
        Rezava pedindo ajuda aos céus, quando veio um bote desses infláveis já com algumas pessoas dentro.
        Ele agradeceu e disse que não iria pois Deus viria salvá-lo.
        A água subia, ele continuava suas rezas, quando veio outro bote onde alguém estendeu a mão. Ele novamente disse não precisar, e assim quando já estava se afogando veio um terceiro barco, ele se negou a aceitar o auxílio.
        Morreu. Chegando no céu foi reclamar com Deus.

            - Por que o Senhor me abandonou?!

            - Deve estar havendo algum engano... tu não és o fulano de tal?
            - Sim, respondeu o homem.

            - Pois então, mandei três botes para te salvar!
        Aproveitem os botes que a vida oferece, mas não se esqueçam que é preciso remar, e para isso o que não falta é peito para as mulheres.

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