Caverna ou Cativeiro?

Quando numa viagem de férias, da família, fomos a Bonito-MS, não imaginávamos que atrativos nos estariam esperando. Um deles, a Gruta do Lago Azul, não foi visitado porque há um controle bastante rígido quanto ao número de visitantes por incursão, e por dia, e nós não tínhamos reserva antecipada. É um atrativo visitado por muita gente, o que dá tranquilidade no tocante à segurança, mas se um dos integrantes não se sentisse bem em ambientes fechados, talvez nem entraria.
O espaço da Coluna não está para relatar viagem de família, mas traçarmos alguns paralelos que podem nos fazer dar mais valor à vida e às experiências possíveis do dia-a-dia. A imprensa mundial tem dado notícias quanto ao resgate dos 12 garotos entre 11 e 16 anos, junto com seu treinador, de 25 anos, de um time de futebol tailandês, represados na caverna de Tham Luang, próxima da cidade de Chiang Rai, na Tailândia, em 23 de junho, depois de fortes chuvas de monções. Chuvas de monções são chuvas extremamente fortes e persistentes.
Para o resgate foram mobilizados 90 mergulhadores, sendo 40 tailandeses e 50 vindos da Austrália, Reino Unido e China, além de 36 militares dos Estados Unidos da América, do Comando Pacífico. Da entrada da caverna até o local onde os represados estavam, alcança 4 Km, considerando que do ponto em que começa a aparecer a água represada, onde os mergulhadores montaram sua base operacional, eles levavam 6h  para ir até o local do resgate, e 5h para voltar. Note-se que o percurso da visitação, feito completamente no escuro, já perigoso para profissionais, foi feito com crianças inexperientes.

A operação vem sendo considerada como um dos mais complicados resgates para os melhores mergulhadores de cavernas do mundo. Um ex-mergulhador da marinha tailandesa que estava a distribuir cilindros de oxigênio, em uma possível rota de escape, morreu. Foram feitas mais de 100 perfurações no morro sobre o local em que detectaram os represados, variando de 800m a 1.000m de profundidade, mas sem êxito. À medida que os resgatados iam sendo retirados da caverna foram levados a um hospital para evitar risco de contrair infecções.

Primeiro paralelo: A Mensagem de Esperança de 11/07 nos traz que: Na saída da caverna, rever a luz deve ter sido emocionante; o medo da morte desapareceu; os planos simples, como ajudar mais a mãe nas tarefas domésticas, são finalmente possíveis. Na saída da caverna, a tensão, o terror, e o desespero se desfazem. A culpa fica em segundo plano, o descuido é perdoado, o castigo impensável. E viver é o que queremos, é o que esperávamos à saída da caverna. Mas, não é simplesmente a saída da caverna. É o reencontro, a volta para casa, para onde nos sabemos amados, para os braços de quem quer o melhor para nós, para a alegria da vida. Por isso, quando Jesus contou sobre o filho perdido que volta para casa, houve a maior festa que um ser humano poderia experimentar.

Segundo paralelo: Uma filha que viveu como que no cativeiro pelo marido dominador, quando consegue se libertar e alcançar, “com vida” o aconchego dos pais, da família da qual se desligara pelo casamento, deve ser motivo para regozijo, para festa. Sim, alguém que tenha os passos monitorados pelo marido e sob ameaça de morte, para se abster do direito sobre a moradia, é como se libertar do cativeiro. Quem ameaça, quem mata, peca! Quem peca, se sujeita ao juízo de Deus.

Edvino Borkenhagen

Coluna Mensageiro – Registro 0123526, 18/08/2003 – Títulos e Documentos
Publicada em 13/07/2018 no jornal Gazeta Diário – Ano XXI – Mensagem 1.042

 

 

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