Queria que esse dia não existisse!

Coluna Mensageiro
– Qual dia? O dia da morte? Não! O dia de ontem.
Como assim? Se não tivesse o dia de ontem não estarias aqui no dia de HOJE!
Sim, mas quando se recebe uma notícia ruim, é de preferir que o dia nem tivesse existido, só pra não ter recebido a notícia.
Ah, tá!

Alguém recebe um telefonema.
O pai que está a fechar 92 anos neste 14/08, em coma, em casa, já há 2 anos, depois de 2 (DOIS) AVC’s, é levado à UPA e, diagnosticado como vítima do coronavírus, é hospitalizado.
No hospital desde 08 de agosto, com a suspeita de COVID-19, ele que já foi morador da Linha 8 de Agosto, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.
Não bastando, a nora, em cuja casa, em Caxias do Sul – RS, esta/va ‘hospedado’ todo esse tempo, também está com a mesma suspeita de COVID-19.
Chega? Ou quer mais?

A cruz que essa família carrega te faz respirar mais aliviado/a por não teres de enfrentar essa doença?
Certamente nem a nora, nem o filho, nem os demais familiares gostariam de ter recebido a notícia.
Talvez também diriam que melhor fosse se o ‘dia de ontem’ não tivesse existido.
Tem como? Absolutamente não!
Pode aparecer uma agravante: alguém acusar a nora que cuidou do sogro, de ter sido displicente. Ou não?!
Chega? Ou quer mais?

Talvez não por acaso, o que desencadeou a preparação deste artigo foi a leitura da Mensagem de Esperança, de 12 de agosto, sob o título “Notícias ruins”.
Nela, o autor relembrou o versículo bíblico de Eclesiastes 7.14: “Quando as coisas correrem bem, fique contente; quando as dificuldades chegarem, lembre disto: é Deus quem manda tanto a felicidade quanto as dificuldades, e a gente nunca sabe o que vai acontecer amanhã”.
Percebeste que não adiantaria querer que o dia de ontem não tivesse existido?!

Daí vem outra situação: a de um casal (um par), se com vida conjugal decorrente de matrimônio propriamente dito, ou apenas em fase de namoro, não vem ao caso, mas um deles toma a iniciativa de romper o relacionamento.
O que vai acontecer com a parte que se sentir desprestigiada?
De cara vai ter a impressão de que o mundo vai desabar.
Planos e planos, a dois, foram sendo escritos, desenhados, pensados, para se concretizarem num futuro próximo.
E agora, assim com um:
Tchau! Estou me despedindo; não quero mais nada contigo; pode ficar com tudo o que granjeamos, juntos. Acabou!”.
Quem não treme? Quem não perde o chão?
Mas daí volta a informação do Eclesiastes: “…a gente nunca sabe o que vai acontecer amanhã”.
Devemos manter a compostura, sem criar alardes, sem revidar, sem agredir aquele/a que se vai, porque Deus deve ter permitido isso para que, quem estaria prestes a choramingar, a que reflita sobre sua conduta, para que não se repita da mesma forma num próximo relacionamento, ou porque Deus tem um plano muito melhor.
Manter a calma e, sobretudo, manter a dignidade é o que importa!

Então:
– ter um familiar que se despede da vida, porque Deus o chama para o descanso, é uma oportunidade para agradecer a Deus pelos ensinamentos recebidos durante o tempo de convivência, pelo legado que deixou, ao passo que
– ter uma pessoa amada que rompe um relacionamento, é motivo para agradecer a Deus pela nova oportunidade que nos propiciará!

Que nunca desprezes o dia de ontem!

Edvino Borkenhagen

Coluna Mensageiro – Registro 0123526, 18/08/2003 – Títulos e Documentos
Publicada em 14/08/2020 – Ano XXIII – Mensagem 1.151

BORKENHAGEN 37 ANOS  RESPEITANDO A DOR DO PRÓXIMO!

 

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